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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CAPTURA DE ENXAMES FIXOS


Zootecnia-Apicultura: uma Inter-relação para Estimular o Desenvolvimento Sustentável e a Segurança da Comunidade

Quando o enxame é recém-instalado ou está procurando moradia, as abelhas formam cachos em árvores, telhados e/ou outros locais. O procedimento para a coleta desses enxames é muito simples e consiste em se transferir essas abelhas para dentro de uma colmeia.
As abelhas africanas (Apis mellifera scutellata), conhecidas por serem altamente produtivas e defensivas, foram introduzidas no Brasil em 1956, em Camaquã, na Região de Rio Claro, Estado de São Paulo, com o intuito de se executar um programa de melhoramento genético capaz de aumentar a produção de mel do país, associado a uma baixa agressividade. Entretanto, devido a uma manipulação
incorreta feita por um apicultor que estava visitando o apiário onde as rainhas africanas estavam sob controle, ocorreu a enxameação de 26 colônias. Isso levou ao início de um processo de cruzamentos naturais com as abelhas de origem  européia que haviam sido trazidas pelos imigrantes a partir de 1840 (De Jong, 1990), propiciando a formação de um híbrido, que foi chamado de abelha africanizada (Soares, 1998).
Essas abelhas conseguem sobreviver durante vários meses, mesmo quando têm de enfrentar longos períodos de seca, muito comuns em regiões de climas tropicais, período em que pouco ou praticamente nenhum néctar é produzido. Além disso, as
subespécies de Apis mellifera que habitam regiões de clima tropical têm elevada capacidade para abandonar o local de nidificação em determinadas estações do ano, fundando posteriormente novos ninhos em lugares mais favoráveis ao
desenvolvimento das colônias (Chaud-Netto, 1992).
Pela enxameação, as abelhas africanizadas passaram a ocupar os abrigos existentes tais como: troncos ocos de árvores, cavidades em rochas, em cupinzeiros, telhados, hidrantes, forros de casas entre muitos outros. Não raro são encontrados enxames instalados em latas abandonadas, pneus, caixas de madeira, papelão, depósitos de madeira e chaminés (Sommer et al., 2000).
Segundo Sofia e Bego (1996), as colônias de abelhas eusociais tropicais, normalmente com elevado número de indivíduos, exigem uma alta demanda de alimento ao longo do ano. Em áreas urbanas, sujeitas às constantes modificações da vegetação, essas abelhas devem adequar continuamente suas necessidades a tais mudanças. A grande quantidade de plantas apícolas utilizadas no processo de arborização das cidades e com períodos de floração distribuídos eqüitativamente durante o ano, principalmente nas épocas de escassez de alimento, também contribui para a migração das abelhas (Toledo et al., 1998).
Em 1989, foi implantado, na cidade de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, Brasil, um programa bem sucedido de controle de abelhas africanizadas, baseado na captura de enxames e na participação de pesquisadores, de apicultores, de corpo de bombeiros e da comunidade (Diniz et al., 1994).
As abelhas africanizadas possuem uma série de vantagens quando comparadas às abelhas europeias. As colônias se desenvolvem mais rapidamente, são mais resistentes a doenças, são melhores polinizadores, produzem mais mel e própolis e conseguem se adaptar melhor às regiões de clima tropical, como o cerrado brasileiro (De Jong, 1996).
À medida que as abelhas africanas foram se multiplicando e cruzando com as abelhas europeias já existentes, vários relatos surgiram, especialmente sobre a impressionante capacidade defensiva dos híbridos. Elas atacavam com muito
menos estímulo, em maior número e a uma grande distância (De Jong, 1996).
Apesar disso, pouco a pouco, os apicultores se conscientizaram que essas abelhas poderiam ser controladas e exploradas com êxito (Soares, 1998).
Com esse intuito, alguns apicultores passaram a observar as melhores maneiras para se trabalhar com as abelhas africanizadas e, juntamente com técnicos e pesquisadores, durante reuniões e encontros de apicultura, iniciaram a adaptação e o desenvolvimento de técnicas e de equipamentos para o manejo dessas abelhas (De Jong, 1996).
Atualmente, a apicultura brasileira se caracteriza por ser mais moderna, atualizada e com uma significativa preferência dos apicultores pelas abelhas africanizadas (Sommer et al., 2000).
Segundo Rocha e Jacoboski (1992),  a enxameação de Apis mellifera é um processo biológico que ocorre anualmente e visa à perpetuação da espécie. Esse processo está associado a diversos fatores como alimentação, espaço e condições climáticas. De acordo com esses autores, a alimentação pode determinar o
processo enxameatório pela sua abundância, em que parte do enxame abandona a colmeia à procura de novos locais para nidificação. Esses enxames se caracterizam por apresentar zangões. Quando há escassez de alimento, também ocorre o abandono da colmeia pelo enxame para nidificação em um novo local onde existam melhores condições de alimentação. Esses enxames geralmente não
apresentam zangões.
O processo de enxameação ocorre não só devido à origem genética das abelhas, mas também em função da época do ano, da localização geográfica, da abundância de alimento e das condições climáticas (Toledo, 1997).
Soares et al. (1984a) identificaram dois picos de migração em enxames de  abelhas africanizadas, nos meses de março-maio e agosto-outubro, denominados de picos de abandono e de enxameação, respectivamente.
Em regiões onde extensas áreas de monoculturas são implantadas, pode ocorrer um grande número de migrações. Essas áreas fornecem alimento em épocas muito delimitadas e, devido à demanda contínua de alimento, muitos enxames migram para outras áreas em busca de melhores condições.
Nos últimos anos, um grande número de enxames de abelhas africanizadas migrou para a zona urbana de Maringá e isso vem causando uma grande preocupação aos moradores, principalmente àqueles que moram em casas com crianças, idosos e/ou com pessoas alérgicas. Nesses casos, na maioria das vezes, as pessoas interessadas procuram o Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá, que, há alguns anos, na medida do possível, vem retirando esses enxames e colônias.
O objetivo deste experimento foi avaliar e estimar a ocorrência de enxames e de colônias, bem como sua localização e captura na zona urbana de Maringá, Estado do Paraná, Brasil.
Material e métodos
Os enxames e as colônias foram coletados na cidade de Maringá, situada na região Noroeste do Estado do Paraná. A cidade possui aproximadamente
290.000 habitantes e seus recursos provêm, em grande parte, da agricultura, predominando extensas áreas de milho, soja e trigo. Está localizada entre os paralelos 23º23’ e 23º27’ (S), entre os meridianos 51º54’ e 51º58’ (W) e cortada ao centro pelo Trópico de Capricórnio (IBGE, 1972), com precipitação anual
média de 1650 mm (Silveira et al., 1998); suas altitudes variam de 520 a 599 m.
No período de 1997 a 1999, as ocorrências das colônias e/ou enxames foram comunicadas à secretaria do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá, onde foram registrados os nomes dos solicitantes, endereço,
telefone, data e locais onde estavam alojados. Foram registradas 283 ocorrências no período, das quais 191 eram 169 colônias e 22 eram enxames. Foi realizada
análise descritiva dos dados anotados.
De maneira geral, seguiram-se os procedimentos para as coletas, conforme descrito por Wiese (1995) e Nogueira-Couto e Couto (2002): localizou-se a
colônia, agiu-se de tal forma a expor os favos com crias e alimentos. Em seguida, os favos foram cortados e amarrados com barbante de algodão, em caixilhos vazios e colocados na colméia que estava vazia. Os favos com crias foram colocados na região central, enquanto os favos com pólen foram colocados nas extremidades das caixas. O excesso e os que continham mel e/ou vazios foram levados ao apiário e, após a extração do mel, foram derretidos para se obter a cera bruta. O mel foi devolvido na forma de xarope, o qual foi colocado em
alimentadores. As abelhas adultas foram transferidas para a caixa, juntamente com a rainha, que foi identificada e localizada pelas suas características morfológicas distintas ou pelo comportamento das operárias, as quais indicam a presença dela na colmeia.
Após a realização do manejo da coleta, as colônias e os enxames foram levados para a Fazenda Experimental de Iguatemi, localizada acerca de 10 km da cidade de Maringá, sempre ao anoitecer. Por volta do 15º dia, as colônias foram revisadas e então submetidas a pesquisas e/ou aulas práticas de Apicultura.
Resultados e discussão
Na Tabela 1, encontram-se os números de ocorrências e colônias e/ou enxames coletados mês a mês nos anos de 1997, 1998, 1999 e o total geral.
Tabela 1. Número de ocorrências (Ocorr.) registradas e colônias e/ou enxames coletados (Colet.) no período de abril de 1997 a dezembro de 1999.

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